A Transfiguração de Jesus Cristo

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Afresco da Transfiguração. No Parque Nacional de Goreme, na Capadócia.

A Festa da Transfiguração do Senhor, é celebrada, pela Igreja Oriental, desde o século V. Na Igreja Católica Ocidental foi introduzida pelo Papa Calisto II, por volta do ano de 1.457.

Para a Igreja Oriental, essa festa está entre as grandes solenidades de seu calendário; vem precedida pela oração solene das vésperas, seguida de uma grande vigília de oração. Já, no ocidente, essa data é celebrada, em muitos lugares, com comemorações populares como Bom Jesus (em suas diversas denominações), Santíssimo Salvador, entre outras invocações. […]

A celebração acontece no dia 6 de agosto; essa data, provavelmente, está associada à Festa da Dedicação da Igreja do Monte Tabor, mas, também, pode ser porque esse é o dia do grande meio-dia, o apogeu da luz do verão, no hemisfério norte (cf. TEMPESTA, 2018).

A Transfiguração de Jesus está contida em inúmeras narrativas bíblicas do Novo Testamento, destaque para os relatos dos Evangelhos Sinóticos (Mt 17,1-9; Mc 9,2-10; Lc 9,28-36), além da alusão contida na Segunda Carta de São Pedro (2Pd 1,16-18).

Mas é o profeta Daniel, no Antigo Testamento, em sua profecia (Dn 7,9-10.13-14), que nos prepara para a compreensão da Transfiguração de Jesus. Narrada em uma chave cristológica (em referência a Jesus) numa cena apocalíptica, Daniel, em uma visão noturna, fala de “um ancião vestido com roupas brancas como a neve” e com cabelos “brancos como a lã”, que se senta em seu ardente trono, em torno do qual existe o tribunal celestial a seu serviço.

Ao ancião, é apresentada uma pessoa que chegou com as nuvens do céu, “como um Filho do Homem” (cf. Dn 7, 13), a quem foi outorgado o poder, a glória e o reino de todos os povos e, nações e línguas, o servirão. Seu império será eterno e seu reino jamais será destruído.

O episódio misterioso da Transfiguração de Jesus, sobre o Monte Tabor (uma elevação de terra em Israel, com aproximadamente 600 metros de altitude), diante de três testemunhas escolhidas por ele: Pedro, Tiago e João, situa-se no contexto a partir do dia em que Pedro confessou, diante dos outros Apóstolos, que Jesus é o Cristo, “o Filho de Deus vivo”.

A Profissão de Fé de Pedro

Certo dia, Jesus orava em particular, cercado dos discípulos, aos quais perguntou: “Quem sou eu, no dizer das multidões?” Eles responderam: João Batista; outros, Elias; outros, porém: um dos antigos profetas que ressuscitou. Ele replicou: “E vós quem dizeis que eu sou?” Pedro, então, respondeu: “O Cristo de Deus”. Ele, porém, proibiu-lhes, severamente, de anunciar isso a alguém (cf. Lc 9,18-21).

“As primeiras gerações cristãs conservaram a lembrança deste episódio, como um relato de importância capital, para os seguidores de Jesus. Sabiam que a Igreja de Jesus deveria ouvir sempre de novo a pergunta que Jesus fez um dia a seus discípulos: E vós quem dizeis que eu sou?”

PAGOLA, 2012, p.147

O contexto mostra que Pedro, e os demais, perceberam que Jesus é o Cristo, o Messias profetizado no Antigo Testamento, o personagem aguardado por Israel. “A resposta certa à pergunta sobre a identidade de Jesus só é possível dá-la na fé, no acolhimento da revelação de Deus. O mistério da pessoa e da missão de Jesus só podem ser conhecidos por aqueles a quem o Pai quiser revelar” (BARREIRO, 1993, p.167).

Jesus anuncia a “necessidade” da sua Paixão!

Ato contínuo, Jesus faz, aos discípulos, o primeiro anúncio de sua paixão. Usando o título “Filho do Homem”, que ele preferia e que, nesse contexto, remete ao Messias. “É necessário que o Filho do Homem sofra muito, seja rejeitado pelos anciãos, chefes dos sacerdotes e escribas, seja morto e ressuscite ao terceiro dia” (Lc 9,22-27).

“Filho do Homem, vem de uma expressão hebraica e indica, principalmente, uma posição de humildade, isto é, a posição de um homem comum, sem privilégios especiais. Essa expressão é usada por cerca de oitenta vezes com respeito a Jesus, a maioria das quais por ele mesmo […]
A ideia do Filho do homem «sofredor» foi um resultado natural da necessidade de sua missão terrena. Jesus veio a encarar essa parte de sua missão como inevitável, e, de fato, esse foi seu serviço supremo em favor dos homens”.

CHAMPLIN, 2002, v.1, p.343

Jesus começa a esclarecer, a seus discípulos, que sua missão não era deste mundo. Pressente o abandono, o sofrimento e a rejeição dos homens. Sabe que, ao denunciar as injustiças políticas, sociais, econômicas e religiosas vigentes na sociedade da época e propor um novo modo de viver, baseado na partilha igualitária dos bens, será perseguido pelos poderosos e sofrerá muito. Mas no terceiro dia será ressuscitado. A ressurreição do Homem marcará o princípio da verdadeira libertação.

A Transfiguração de Jesus revela a identidade de Deus

O evangelista Lucas relata o evento da transfiguração de Jesus, a partir de uma informação temporal: “Mais ou menos oito dias depois dessas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, ele subiu à montanha para orar” (Lc 9,28).

A intenção de Lucas é entrelaçar ambos os acontecimentos, principalmente, para revelar a identidade divina de Jesus, do Filho de Deus. Jesus apresenta aos discípulos as duas faces do mistério da salvação que se realiza nele: a face tenebrosa — o sofrimento e a morte — e a face gloriosa — a ressurreição e a glória. A divindade de Jesus, sua glória, está relacionada com a cruz, com a sua paixão.

A crucificação é a cruz gloriosa do Filho do Homem, pois é seu retorno para o lugar de onde veio (Jo 6,62). A cruz e a exaltação não são objeto da busca de Jesus. Estas são consequências de sua fidelidade ao Pai e à missão dele recebida. “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então saberei que Eu sou e que nada faço por mim mesmo, mas falo como me ensinou o Pai. E quem me enviou está comigo. Não me deixou sozinho, porque faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8, 28- 29).

“Foi transfigurado diante dos discípulos…”

O evento da transfiguração tem sido amplamente aceito como uma experiência histórica, que, realmente, aconteceu durante o ministério terreno de Jesus. O principal argumento a favor dessa posição está baseado no princípio de concordância: o relato está presente nos três evangelhos sinóticos, como um evento na vida de Jesus.

O acontecimento narrado ultrapassa a experiência comum, porquanto não envolveu somente a Jesus, mas também a Pedro, a Tiago e a João, os quais, diferentemente de Jesus, não estavam sujeitos a essas experiências. Foi uma experiência de origem divina, uma revelação dada aos apóstolos, sobre a glória do reino futuro que terá Jesus como seu rei.

Vamos ao texto, segundo Lucas

“Mais ou menos oito dias depois dessas palavras tomando consigo Pedro, João e Tiago, ele subiu à montanha para orar. Enquanto orava, o aspecto de seu rosto se alterou, suas vestes tornaram-se de fulgurante brancura.
E eis que dois homens conversavam com ele: eram Moisés e Elias que, aparecendo envoltos em glória, falavam de seu êxodo que se consumaria em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam pesados de sono. Ao despertarem, viram sua glória e os dois homens que estavam com ele.
E quando estes iam se afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui; façamos, pois, três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”, mas sem saber o que dizia.
Ainda falava, quando uma nuvem desceu e os cobriu com sua sombra; e ao entrarem eles na nuvem, os discípulos se atemorizaram.
Da nuvem, porém, veio uma voz dizendo: “Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o”.
Ao ressoar essa voz Jesus ficou sozinho. Os discípulos mantiveram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram coisa alguma do que tinham visto”.

Lc 9,28-36

Mais ou menos oito dias depois. Essa indicação de tempo demonstra que estamos ante um acontecimento histórico e não ante uma alegoria ou mito “Lucas faz referência ao dia depois da criação visível, o “oitavo”, ou seja, o mundo definitivo, a terra prometida inaugurada com a ressurreição de Jesus, que ocorreu no “primeiro dia da semana” (RIUS-CAMPS, 1995, p.162).

Já Mateus (17,1) e Marcos (9,2) falam de “6 dias”, uma alusão ao sexto dia da criação. Jesus transfigurado é a realização plena do projeto de Deus sobre o homem, o coroamento de toda obra da criação (cf. BARREIRO, 1993, p.188).

Jesus tomou consigo: Pedro, João e Tiago, três dos quatro primeiros discípulos chamados por Jesus (Lc 5,10).

Aparentemente, esses são os discípulos mais reticentes às suas propostas, ou seja, são os mais identificados com a instituição judaica. Esses três também foram selecionados como as únicas testemunhas da agonia de Jesus no jardim do Getsêmani (Mc 14,33), e, também antes, quando da ressurreição da filha de Jairo, em Mc. 5,37.

Jesus subiu à montanha para orar: É Jesus que toma a iniciativa de subir para orar. Lucas destaca a oração. Essa é uma das características salientadas por Lucas: a oração. Sempre que necessita discernir sobre algo, Jesus se dispõe a orar (Lc 3,21; 6,12). Neste relato está presente o tema do monte como lugar do encontro com Deus.

Enquanto orava, o aspecto de seu rosto se alterou, suas vestes tornaram-se de fulgurante brancura. Jesus muda de figura e se apresenta com outra forma, visivelmente com outra aparência. Sua fisionomia se alterou. No Livro do Apocalipse, o Cristo ressuscitado é descrito de maneira semelhante. “Sua face era como o sol, quando brilha com todo seu esplendor” (Ap 1,16).

“Na transfiguração, a luz, que simboliza a presença divina, não vem de fora, nem paira ‘sobre’ Jesus. Sai ‘de dentro’ dele, emana nele próprio, porque lhe pertence substancialmente. A fonte desse esplendor é a glória de Deus, que, atravessando suas roupas, embebe e faz brilhar a carne de Jesus e torna-se, como no paraíso, seu vestido”.

BARREIRO, 1993, p.191

E eis que dois homens conversavam com ele: eram Moisés e Elias que […], falavam de seu êxodo que se consumaria em Jerusalém.
Bento XVI observa que a Lei e os Profetas conversam com Jesus sobre o seu êxodo: “aparecendo envoltos em glória, falavam de seu êxodo”, a sua saída, que deveria realizar-se em Jerusalém, centro da história da salvação.

“O tema do seu diálogo é a cruz, mas entendida de um modo envolvente como o êxodo de Jesus, cujo lugar devia ser Jerusalém. A cruz de Jesus é êxodo: partida desta vida, passagem através do ‘mar vermelho’ da paixão e ida para a glória, na qual permanecem os sinais das chagas […]
Deste modo, mostra-se claramente que o tema fundamental da lei e dos profetas é a ‘esperança de Israel’, o definitivo êxodo libertador; que o conteúdo desta esperança é o Filho do homem sofredor e servo de Deus, o qual sofrendo abre as portas para a liberdade e para a novidade. Moisés e Elias são eles mesmos figuras e testemunhas da paixão”.

BENTO XVI, 2007, p.265

Pedro e os companheiros estavam pesados de sono […] Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui; façamos […], mas sem saber o que dizia. Santo Agostinho ensina que:

“Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a Montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra. A Vida desce para fazer-se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer?”.

Sermão 78,6

…uma nuvem desceu e os cobriu com sua sombra […] veio uma voz dizendo: “Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o”. A nuvem sagrada, a shekhinah, é a presença do próprio Deus que aparece e, luminosa (Mt 17,5), cobre os discípulos com a sua sombra. Na tradição bíblica a nuvem é sinal da presença escondida de Deus, “do Deus Absconditus (Is 45,15), do Deus que se revela velando-se”.

O ponto alto da narrativa, é a declaração de Deus: “Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o”. Esta advertência salienta a importância daquilo que Jesus tem proclamado sobre sua missão e a natureza do discipulado. As palavras do Pai ecoam Isaías: “Eis o meu servo que eu sustento, o meu eleito, em quem tenho prazer. Pus sobre ele o meu espírito, ele trará o direito às nações” (Is 42,1).

A voz do Pai garante que Jesus é o Filho de Deus, que: “o seu destino de Servo Sofredor está garantido por Deus. O poder que só Deus pode dar, somente se alcança pelo caminho do serviço e da humilhação do Servo.

Ao ressoar essa voz Jesus ficou sozinho, porque ao desaparecer a visão, voltou-se ao presente. Jesus está “só”. “Nenhum dos discípulos identificados com a instituição judaica, pode compreendê-lo. Jesus aceitou esse caminho estreito proposto pelo Pai. Ele está só porque optou pelo caminho do não-poder” (RIUS-CAMPS, 1995, p.167).

Os discípulos mantiveram silêncio e não contaram coisa alguma do que tinham visto. Os discípulos ainda não compreendiam completamente o que Jesus está fazendo. Haverá mais ensinamentos reservados para que eles entendam a crucificação e a ressurreição antes de fazerem uma proclamação precisa.

Que Deus nos dê a sua Graça para que possamos, através dos testemunhos, dos seus escolhidos, mergulhar um pouco mais em seus mistérios.

Referências
BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.
BÍBLIA do Peregrino. São Paulo: Paulus, 3ª edição, 2017.
BARREIRO, Álvaro, SJ. Do Jordão a Betânia: Contemplando os mistérios da vida pública de Jesus. São Paulo: Loyola, 1993.
BENTO XVI, Papa. Jesus de Nazaré: primeira parte: do Batismo no Jordão à Transfiguração. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.
CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento: Interpretado versículo por versículo, v.1, Mateus e Marcos, São Paulo: Editora Hagnos, 2002.
PAGOLA, José Antonio. O Caminho aberto por Jesus: Lucas. Petrópolis: Vozes, 2012.
RIUS-CAMPS, Josep. O Evangelho de Lucas: O êxodo do homem livre. São Paulo: Paulus, 1995.
TEMPESTA, Orani João. Transfiguração do Senhor. CNBB, 6/ago/2018. Disponível em: https://www.cnbb.org.br/transfiguracao-do-senhor/. Acesso em 8/jul/2020.

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4 respostas em “A Transfiguração de Jesus Cristo”

Um texto bastante educativo! Eu não sabia de muitos detalhes dessa passagem, que cá entre nós, sempre causou muita polêmica em nos cristãos! Parabéns e obrigada

Muito obrigado por partilhar um pouco do seu conhecimento, os textos que li te agora tem me ajudado a ver vários pontos diferente da sagrada escritura, e com uma linguagem acessível.
Gostar de saber se foi na transfiguração, que Jesus toma consciência de que sua caminhada o levaria a cruz, ou se desde o início de sua encarnação Ele já sabia que a cruz seria seu fim?
Mais uma vez muito obrigado por compartilha estes conhecimentos

Querido Gabriel!
A Paz do Senhor esteja contigo!
Obrigado por interagir conosco. Fico contente por sua participação.
Procurarei responder sua pergunta. Espero que lhe ajude a compreender melhor os mistérios de Deus, contido nas narrativas bíblicas.
Todo o processo da vida de Jesus, bem como a Sua morte, não pode ser compreendido somente como fruto de um processo histórico. Jesus se entrega à morte fazendo a vontade do Pai (Cf. Jo 17,1).
Em Jesus Cristo realiza-se a promessa de Deus (Cf. Gl 4,4). Todos os Evangelhos mostram que, em Jesus, Deus está presente no meio do seu povo. Jesus é a presença Salvadora e Libertadora de Deus, é o próprio Filho de Deus no meio do povo de Israel.
Assim, ao nos depararmos com as narrativas bíblicas sobre os ditos e feitos de Jesus, contidas nos Evangelhos Sinóticos, e, mais precisamente em Lucas, relatadas antes do relato da Transfiguração, vamos perceber que Jesus tinha consciência de que era o Filho de Deus.
Observamos isso no relato do menino Jesus junto ao Templo de Jerusalém (Lc 2,41-52). Depois, no relato de seu Batismo (Lc 3,21-22). Um pouco mais, nos relatos de suas curas, narradas em Lucas, nos capítulos 4, 5, 7, 8, 9. E, finalmente, no primeiro anúncio de Sua Paixão (Lc 9,21-27).
A Transfiguração do Senhor, narrada por Lucas precede, o início da subida de Jesus à Jerusalém, para ser crucificado. Jesus Se transfigura diante de seus discípulos para mostrar a finalidade da Cruz: o ingresso na vida celeste, primeiro Cristo, como “primogênito entre os mortos” (cf. Cl 1, 18), depois nós, como membros de Seu corpo.
Santo Tomás de Aquino nos ajuda a compreender esse episódio:
“Depois de anunciar aos discípulos a Sua paixão, o Senhor os convidou a que O seguissem. Ora, para caminhar retamente, a pessoa deve saber de algum modo para onde vai […]. Isso, é particularmente necessário quando o caminho é difícil e áspero, a jornada trabalhosa e a meta agradável. Cristo, com a paixão, devia alcançar a glória não só da alma, esta, a possuía desde o início de sua concepção, mas também do corpo, como está escrito: ‘Era necessário que o Messias sofresse essas coisas e assim entrasse em sua glória’ (Lc 24, 26). A essa glória, Cristo conduz os que seguem as pegadas de sua paixão, como diz At 14, 21: ‘É necessário passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino dos céus’. Por isso era conveniente que Cristo mostrasse aos discípulos a glória de sua claridade (e isto é ser transfigurado), à qual há de configurar os que o seguem, como diz Fl 3, 21: ‘Transformará o nosso pobre corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso’. Comentando o Evangelho de São Marcos, diz o Venerável Beda: ‘Saboreando por alguns instantes, por pia providência, o gozo definitivo, os discípulos haveriam de suportar com mais fortaleza as adversidades’.” (S. Th., III, q. 45, a. 1).
Abraços!

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