Coexistência e diálogo entre católicos e muçulmanos

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Areopago-Bruno-Dialogo-Muculmanos-Catolicos

O texto abaixo é o Terceiro – e último – Capítulo da pesquisa que o autor realizou na conclusão do bacharelado em Teologia, em 2017, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob o tema: Conhecer para ConviverO desenvolvimento histórico do Islã e as pontes para o diálogo entre católicos e muçulmanos.


O diálogo é sempre o caminho da paz verdadeira. Sempre que a luta odiosa e as guerras entraram em cena como instrumento para apaziguar conflitos, vimos que, teoricamente, apenas um lado se beneficiou, enquanto o outro não. Em tempos de encontro entre a pluralidade de culturas, é imprescindível constatar que o diferente não é inferior, mas apenas diferente. É preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana.

Primeiros passos

A convivência pacífica entre os diferentes pressupõe que ambos os lados, em determinado momento, precisarão ceder. Este ato de ceder não significa ferir a integridade ou àquilo que dá razão e sentido, mas requer uma releitura na postura e nos costumes diante da pluralidade que se abre no mundo moderno. Isso também é considerado diálogo da tolerância.

Com base na etimologia grega da palavra ‘diálogo’ apresenta-se dois termos: ‘dia’ e ‘logos’. A expressão logos tem muitos significados, mas indica particularmente a capacidade humana de pensamento e raciocínio. O termo dia, por sua vez, expressa uma dupla ideia: alude ao que se separa e divide, mas igualmente à ultrapassagem de um limite. Faz parte da natureza do diálogo a busca de uma unidade, mas que preserve a diferença e liberdade. É no processo do diálogo que as pessoas vivem e celebram o reconhecimento de sua individualidade e liberdade.

O diálogo inter-religioso instaura uma comunicação e um relacionamento entre fiéis de tradições religiosas diferentes, envolvendo partilha de vida, experiência e conhecimento. Essa comunicação propícia um clima de abertura, empatia, simpatia e acolhimento, removendo preconceitos e suscitando compreensão, enriquecimento e comprometimento mútuo e partilha da experiência com o sagrado.

Uma das máximas do diálogo com o diferente é justamente o enaltecimento daquilo que compartilham em comum. Maria, mãe de Jesus, é um dos pontos que ligam cristianismo com o islamismo. Um exemplo de coexistência pacífica e de aproximação foi muito comentado quando, em junho de 2017, o Sheik Maomé Bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi e Deputado Supremo das Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos, ordenou que o nome da mesquita Sheik Maomé Bin Zayed, em Al Mushrif, Abu Dhabi, fosse mudado para “Mariam, Umm Eisa” – que quer dizer: Maria, Mãe de Jesus.

O mundo seria menos exuberante sem a participação de 1,3 bilhão de muçulmanos. No entanto, as próximas décadas serão cruciais para que o Islã recrie sua identidade no espaço e no tempo. E as possibilidades são muitas, mas que acabam se resumindo em três tipos:

  1. o fundamentalismo que uniformizaria a prática religiosa, politizando-a;
  2. a secularização que transformaria o islã numa religião privada, com pouco impacto na vida social e política dos fiéis. Opção preferida do Ocidente que conta com a globalização a seu favor;
  3. ou uma reforma islâmica, que produziria um novo islã pluralista e liberal, mas não menos religioso. Esta opção implicaria uma ruptura tão radical quanto a Reforma foi para a Igreja Católica.

É provável que estas três opções se desenvolvam simultaneamente, em lugares diferentes e graus variados. E é impossível profetizar qual será por fim a linha predominante. O Ocidente, sobretudo a Igreja Católica, em vista das consequências catastróficas que o extremismo islâmico tem causado no atual momento histórico, tem todo interesse em ajudar o islã em suas articulações consigo mesmo e com o mundo. A Igreja Católica tem hoje como dever o dialogo com o mundo em que vive. Ela faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio.

“A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta, e honram Maria, sua mãe virginal, à qual por vezes invocam devotamente. Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum. E se é verdade que, no decurso dos séculos, surgiram entre cristãos e muçulmanos não poucas discórdias e ódios, este sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens.”

Papa Paulo VI. Declaração Nostra Aetate

Mas nem sempre foi assim…

O processo de abertura da Igreja Católica para a realidade plural

Até o início do século XVI, a Igreja Católica desfrutava, na sociedade europeia, da condição de religião hegemônica. Essa condição foi acompanhada da constituição e defesa de uma perspectiva teológica que favorecia a sua hegemonia. A afirmação clássica Extra Ecclesiam nulla salus (fora da Igreja não há salvação) orientou, de forma geral, os posicionamentos de teólogos e do Magistério Pontifício. Originalmente, essa frase foi atribuída a São Cipriano (†258) e, na forma como conhecemos hoje, foi escrita por Fulgêncio (458-533), bispo de Ruspe, na atual Tunísia. No Magistério Pontifício e conciliar, esse principio foi utilizado diversas vezes: pelo Papa Inocêncio II, num documento enviado ao arcebispo de Terragona (1208); pelo IV Concílio lateranense, em 1215, para combater os movimentos espiritualistas e antieclesiasticos; pelo Papa Bonifácio VIII, em 1302, na bula Unam Sanctam, onde se afirmou que a salvação está somente na Igreja, como também na submissão do pontífice romano; e, por último, no Concílio de Florença, em 1442, com a finalidade de reunião das Igrejas orientais com a Igreja de Roma, estendendo aos judeus e pagãos.

Na tradição católica essa frase foi muito recorrente e utilizada para fundamentar o combate às religiões fora das fronteiras do cristianismo. Entretanto, no cotidiano, os católicos conviviam – e convivem –, muitas vezes sem dificuldades, com as experiências religiosas consideradas pagãs. A convivência não era um problema – como hoje não é – e frequentemente era visto como uma questão de sobrevivência. Dessa maneira o cristianismo passou por um processo inevitável de sincretismo que levou a incorporação de elementos de outras religiões. Com o fim da hegemonia no século XVI devido os movimentos de reforma, a Igreja é desafiada a reconhecer que o trato com o sagrado mudou e que isso seria o início de uma irreversibilidade.

O mundo moderno trouxe consigo a afirmação de que a abertura ao pluralismo é a melhor forma para a convivência das diferenças. O pluralismo é compreendido como um princípio e uma concepção de mundo que reconhece a diversidade como legítima e necessária. Desse ponto de vista, a diversidade não é tida como problema, mas assumida como um valor necessário para a convivência das pessoas, grupos e instituições.

A Igreja Católica resistiu o quanto pode a esse aspecto de visão do mundo moderno. A encíclica Quanta Cura, do Papa Pio IX, promulgada em 1864, mesmo sem utilizar os termos pluralismo e diversidade, é um repúdio a esse princípio e concepção entendidos por Roma, na época, como uma ameaça à sociedade tradicional e à religião católica. O Syllabus, anexo à encíclica, que reunia trechos de alocuções e encíclicas anteriores de Pio IX, continha aquilo que esse Papa considerava como os principais erros da modernidade. Quanta Cura se tornou símbolo da Igreja contra a modernidade, mostrando não somente a preocupação com a salvação das almas, mas a inconformidade de perder a hegemonia intelectual e religiosa.

O processo de superação deste fechamento da Igreja para o mundo foi acontecendo gradativamente, culminando no Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 – 1965). Foi nesse Concílio que oficialmente a Igreja se atreveu em assumir um diálogo com a modernidade, enfrentando assim o desafio de compreender o fenômeno da diversidade em seus diversos rostos e assumindo a perspectiva do pluralismo como uma forma de lidar com a nova realidade e com salvação extramuros. E fez isso de uma forma dialogante, compreensiva, propondo-se a aprender das diferentes religiões.

“Haja unidade no necessário, liberdade no que é duvidoso, e em tudo caridade.”

Papa Paulo VI, Constituição Pastoral Gaudium et Spes

Mesmo que se em algum momento havia se perdido tal característica, o cristianismo se constitui como uma religião do encontro, da convivência, da interação, da cooperação. Na vida religiosa de Jesus não se encontra a prática da exclusão de quem crê diferente, mas, ao contrário, admiração e acolhida.

Ao anunciar o seu Evangelho, Jesus apresentou a prática das bem-aventuranças como a principal forma de realizar a vontade de Deus , tendo em seu centro a regra de ouro do amor e a prática da solidariedade. Os critérios da verdadeira religião estão fundamentados no amor, na justiça, na paz, na solidariedade. São critérios para a realização do verdadeiro culto a Deus. O Concílio Vaticano II fez-se redescobrir estas e outras verdades e, a partir delas, traçar uma nova presença da Igreja nos dramas atuais e um relacionamento, até então inexistente, com as diferentes expressões de fé, transcendendo o ecumenismo para adentrar numa esfera desconhecida: o diálogo inter-religioso.

O diálogo inter-religioso

O diálogo inter-religioso é um fenômeno relativamente recente. Trata-se de uma realidade que ganha vigor nos tempos modernos, que proporciona múltiplos sistemas de conhecimento e comunicação. Nas há sinais explícitos sobre a questão em documentos anteriores a 1945. Isso não significa a ausência de traços germinais antecedentes, presentes em importantes teóricos e místicos de tempos anteriores, que marcaram sua reflexão pela sensibilidade dialogal, como o monge trapista Thomas Merton (1915-1968).

Mas houve um marco referencial que significou um grande incentivo nos avanços da reflexão das religiões que foi o Parlamento Mundial das Religiões, acontecido na cidade de Chicago (EUA) em 1893. Pela primeira vez na história reuniram-se responsáveis de tradições religiosas distintas para mútuo conhecimento e sinalização do lugar das religiões no desenvolvimento social: cristãos de todas denominações, judeus, hindus, budistas, muçulmanos, xintoístas, confucionistas, jainistas e outros. O objetivo do evento era claro: “unir as religiões contra todas as formas de irreligião; fazer da regra de ouro a base desta união; apresentar ao mundo a unidade essencial de numerosas religiões nas boas ações da vida religiosa”. O swami Vivekananda (1863-1902), discípulo de Ramakrisna, emocionou os presentes no Parlamento quando sublinhou ao final de sua intervenção que “o Senhor está presente em cada religião”, sob nomes diferenciados, sendo Ele a razão essencial da força que faz mover as nobres ideias ancoradas nas tradições.

Devido aos processos de modernização e globalização, civilizações antes relativamente isoladas estão hoje em comunicação mais intensa, e sua coexistência pode gerar tensões. Todavia, civilizações estão longe de ser o único fator que determina as relações entre grupos humanos – interesses econômicos, cálculos políticos, pressões do sistema internacional como um todo, entre outros, também moldam as inter-relações.

O diálogo inter-religioso, especificamente, implica o exercício da reciprocidade. Assim como um dado interlocutor exige respeito às suas convicções, o outro com o qual entra em relação exige igual direito e respeito às suas posições, que reclamam para si o mesmo reconhecimento de autenticidade e verdade. O diálogo inter-religioso traduz a riqueza de um novo aprendizado: a relação com a diferença e a alteridade significa a apropriação de outras possibilidades e a abertura à mútua transformação.

Esse desafio dialogal, complexo e laborioso, é imprescindível para as religiões. Na ausência desse intercâmbio criativo as religiões fragilizam-se, carecendo da atmosfera essencial para a sua afirmação e crescimento. Não há como entender a fundo uma determinada tradição senão mediante a abertura, conhecimento e diálogo com outros universos religiosos. Essa relação constrói um itinerário espiritual que não exclui o que de legítimo se encontra na vivência espiritual do outro, mas o reconhece, acolhe e com ele se enriquece, sem cair no sincretismo ou no misticismo indiferenciado.

Aliás, o sincretismo ou a perda de identidade do indivíduo que se abre ao diálogo não devem ser considerados como riscos ou como condição para que a relação aconteça entre as diferentes religiões, no caso, entre católicos e muçulmanos. Ao contrário, a inter-religiosidade pressupõe a fidelidade a si mesmo e ao próprio engajamento de fé. As pertenças e os marcos referenciais são fundamentais para qualquer disposição de relacionar-se com o outro: “É preciso pertencer a algum lugar, contar com alguma referência social estável, pisar em algum chão firme para tomar um impulso de voo” [KEHL, Maria Rita]. Em outras palavras, e conforme já dito anteriormente, o convívio com o diferente exige que uma das partes deva ceder em algum momento, mas não significa abdicar da fé particular ou daquilo que completa de sentido. Não é dessa forma que se consegue chegar, de forma mais profunda, ao universo do outro. Essa travessia para o encontro pressupõe, antes, uma clara identidade cultural religiosa, que deve ser sempre alimentada.

Na visão de Jürgen Moltmann, “digno de participar do diálogo é somente quem conquistou uma posição firme na sua própria religião e vai para o diálogo com a autoconsciência correspondente. Somente a domiciliação na sua própria religião capacita para o encontro com uma outra”. Dessa forma é possível e factível que ocorra um enriquecimento no conhecimento que católicos descobrirão no mundo muçulmano e, de igual forma, de muçulmanos que se enriquecerão ao descobrirem o mudo cristão, sem que isto seja uma ameaça à integridade dos envolvidos.

Formas de diálogo inter-religioso

O Papa Francisco enviou uma mensagem na conclusão do encontro realizado na Universidade Hebraica de Jerusalém, em julho de 2017, em uma promoção da Fundação Pontifícia ‘Scholas Ocurrentes’. Este evento, marcado pelo diálogo entre cristianismo, judaísmo e islamismo, foi caracterizado por muitos gestos simbólicos: o último, que concluiu o evento, foi o plantio de uma oliveira como símbolo do encontro entre as religiões.

“Quanta necessidade da cultura do encontro tem o mundo de hoje, que às vezes constrói muros, transformando a realidade em um pesadelo de viver como inimigos. Quero celebrar estes dias vividos aí em Jerusalém, porque vocês mesmos, a partir das vossas diferenças, viveram a unidade. Ninguém ensinou isto a vocês. Vocês viveram isto. Vocês se esforçaram para se olharem nos olhos, vocês se esforçaram para ter um olhar transparente e isto é imprescindível para que ocorra um encontro”.

Papa Francisco

O diálogo com as diferentes expressões religiosas, tão querido pelo Papa Francisco, especialmente entre católicos e muçulmanos pela importância da busca pela paz na contemporaneidade, acontece em vários níveis ou formas. Independente da como se concretize, a prática dialogal traduz um espírito de abertura, hospitalidade e cuidado. Implicando atenção, respeito e acolhimento para com o outro, a quem se reconhece espaço para sua identidade pessoal, para as suas expressões e os seus valores. Abaixo, três formas de relação dialogal comum, possíveis e transformadoras que, quando aplicadas, podem dar rumo a uma sociedade sedenta de paz:

a. Cooperação religiosa em favor da paz

Uma importante forma de diálogo acontece no âmbito da cooperação religiosa em favor da paz. Trata-se de um diálogo de obras, envolvendo ações e colaboração comum em favor de um mundo mais humano e justo. Talvez seja este um dos campos em que ocorre hoje uma maior comunhão das experiências religiosas. Neste campo ético transparece de forma precisa o encontro das religiões, suscitando, assim, uma nova comunhão criatural. A luta em favor da paz constitui um desafio não apenas para núcleos restritos de especialistas ou estrategistas, mas trata-se de uma “responsabilidade universal”. Não se pode ser religioso driblando o caminho do humano.

b. Intercâmbios teológicos

Uma forma de diálogo ocorre em âmbito dos intercâmbios teológicos. Trata-se aqui de um diálogo envolvendo especialistas e peritos das várias tradições religiosas. O objetivo deste diálogo consiste em confrontar, aprofundar e enriquecer os respectivos patrimônios religiosos. Esse talvez seja o diálogo mais difícil, em que se dá propriamente o confronto das crenças singulares e respectivas experiências espirituais mais íntimas, ele pressupõe certa relativização das próprias crenças, a disponibilidade de colocar-se em discussão e deixar-se transformar pelo confronto. Importantes e significativos grupos de discussão inter-religiosos têm hoje se formado no mundo inteiro para o aprofundamento destas questões teológicas.

c. Experiência religiosa

Em um âmbito mais profundo encontra-se o diálogo da experiência religiosa. Trata-se do diálogo silencioso da oração e da contemplação. Nesse nível, dá-se o encontro de pessoas profundamente enraizadas nas suas específicas tradições religiosas para viver e compartilhar as suas experiências de relação com o Sagrado e seu desfecho na vida concreta e social. Uma comunhão que não se reduz a uma simples troca de conceitos ou ideias, mas que acontece acima do nível das palavras, favorecendo uma autêntica e inusitada experiência espiritual.

As formas de diálogo aqui apresentadas – entre outras – acontecem efetivamente no mundo, talvez ainda de forma tímida e com pouca visibilidade, mas já saíram do papel a bastante tempo. Devido a transversalidade que o mundo muçulmano atinge na atualidade, ele se tornou o destinatário do diálogo mais necessário e, consequentemente, tornar-se-á o futuro remetente, aquele que promove, em mais frentes das de hoje, a relação com o mundo externo às próprias convicções.

Por todo processo histórico abordado nesta pesquisa, tornou-se ao menos um pouco mais claro que a verdade está além da apresentada pela grande mídia. De fato é preciso conhecer para julgar, é preciso conhecer para conviver, é preciso conhecer para amar. Há cerca de 1,5 milhão de muçulmanos no Brasil, segundo a Federação Islâmica Brasileira, um número modesto frente aos mais de 100 milhões de católicos e 45 milhões de adeptos do candomblé e da umbanda. Mas é visível, perceptível e não se pode negar que a religião islâmica está em expansão em todo o globo. Foi também graças ao temperamento essencialmente acolhedor do povo brasileiro e ao multiculturalismo tendencial da sociedade que os muçulmanos puderam encontrar um espaço de inserção favorável no Brasil. Sua comunidade, ainda que de certa forma fechada em si, encontra-se harmoniosa e confortavelmente instalada no Brasil. Foi também em solo nacional que a primeira mesquita de toda América Latina foi inaugurada, em 1956, a Mesquita Brasil, em São Paulo, que reúne em torno de 600 pessoas às sextas-feiras – dia sagrado para o islamismo.

Com a palavra, as expressões religiosas – católicas e muçulmanas – em São Paulo

A Arquidiocese de São Paulo, uma das mais complexas no que diz respeito a diversidade do trabalho pastoral, divide a geografia da cidade com muitas outras expressões de fé. Entre elas esta a maior comunidade muçulmana do Brasil. Os paulistanos se encontram, assim como boa parte do mundo, mergulhados numa espécie de fascínio pela novidade que é o Islã, mas de igual forma aterrorizados pelas ações perpetradas por grupos fundamentalistas, apresentado amplamente pela mídia. O contexto islamofóbico chegou a terras tupiniquins quando a religião islâmica foi apresentada unilateralmente pelos atos terroristas que a mídia apresentou. O diálogo, caracterizado cada vez mais como desafiador, é promovido e incentivado pela Arquidiocese.

O cônego José Bizon, atual responsável pelo diálogo ecumênico e inter-religioso da Arquidiocese de São Paulo e coordenador da Casa da Reconciliação, respondeu a algumas perguntas à esta pesquisa a fim de ilustrar de forma concreta as iniciativas promovidas para a aproximação entre católicos e muçulmanos.

Ao ser questionado sobre como acontece o diálogo, cônego Bizon disse que, normalmente, através de encontros informais, como em participação de eventos e no convite de ambas as partes. “É um dialogo de aproximação. A cooperação que há entre nós, católicos e muçulmanos, se dá nesse entrelaçamento de conhecimento, de proximidade e respeito.”

Perguntado sobre como é possível dar passos rumo à paz, uma vez que o extremismo islâmico afunda as possibilidades de relação com o Ocidente, cônego Bizon foi categórico ao dizer que “só haverá paz quando, em primeiro lugar, haver justiça. E só haverá paz entre religiões quando [os fiéis] viverem, de fato, aquilo que está nos livros sagrados, sobretudo para as religiões monoteístas.” Ele continuou afirmando que não há espaço para fundamentalismo na busca pela paz, uma vez que este pressupõe que sua verdade está acima das demais. “Há a necessidade de ler, estudar e compreender a sua tradição religiosa e, mais que compreender, vivenciá-la, não se utilizando de seus meios para julgar e condenar uma outra tradição religiosa.”

Cônego Bizon finalizou apontando novamente que a experiência de relacionamento entre outras religiões tem sido muito boa de forma geral e que naturalmente há interesse entre as duas partes envolvidas no conhecimento mútuo.

“Portanto, quando falamos de muçulmanos não devemos pensar apenas no mundo árabe, existem outros países fora do Oriente Médio onde o Islã é presente. Como também não devemos associar muçulmanos com terroristas. Quando nós pensamos que há dentro do islamismo pessoas fundamentalistas é diferente, ai eu posso dizer que dentro do mundo Islâmico tem pessoas fundamentalistas, dentro do catolicismo tem pessoas fundamentalistas… Por isso não se pode dizer que essa ou aquela religião é fundamentalista ou é terrorista. É a partir da experiência pessoal de proximidade, de respeito e de convivência que vamos, então, fazendo essa interação entre as duas denominações. É um diálogo de pessoas e também um diálogo de instituições.”

BIZON, Côn. José

A fim de conhecer o pensamento da comunidade muçulmana em São Paulo a respeito da relação com outras religiões, sobretudo a Católica, as mesmas perguntas feitas ao cônego Bizon foram também feitas ao atual Secretário-geral do Centro Islâmico e de Diálogo Inter-religioso e Intercultural, Atilla Kuş.

O secretário-geral confessou que o diálogo entre católicos e muçulmanos não tem acompanhado o avanço que já acontece entre católicos e judeus: “Vemos os católicos e os judeus realizarem muitos atos dialógicos juntos, porém, o diálogo entre muçulmanos e católicos também terá o mesmo avanço.” Atilla destacou que os pontos de fé em comum (a crença em um Deus único, Jesus e Maria) impulsionam a caminhar juntos. Já sobre a possibilidade de encontrar a paz, uma vez que esta é constantemente ameaçada pelos grupos islâmicos extremistas, Atilla fez uso das palavras do Corão para reprovar tais grupos: “Segundo o Corão, a primeira missão do muçulmano é procurar os caminhos do diálogo com o Povo do Livro – cristãos e judeus. Por outro lado, os atos extremistas não podem ser desculpados culpando o outro de preparar o seu mal. Isto é, o Corão e a tradição profética sempre nos ordenam a estudar e procurar caminhos de progresso.”

O secretário-geral, por fim, verbalizou as experiências que a comunidade muçulmana em São Paulo realiza no contato com outras religiões. “O mundo islâmico está em busca de um caminho da paz, principalmente nas regiões onde os próprios muçulmanos são maioria. Tal busca vem se demonstrando através dos encontros de líderes muçulmanos com os líderes ocidentais. Outro ponto seria o exemplo da comunidade turca, principalmente no Brasil, que promove o processo dialógico inter-religioso. A fundação das instituições de diálogo inter-religioso e intercultural é uma prova deste interesse de se relacionar. Também a participação da comunidade como grupo Famílias Abraâmicas, constituído por famílias judaicas, católicas e muçulmanas, demonstram o interesse do diálogo dentro da comunidade.”

Lévinas e o encontro com o “outro”

Avançando na reflexão de relação com o Outro, com o diferente, o filósofo Emmanuel Lévinas endossa o plano – já realizado por Jesus – de simplesmente abrir-se ao encontro. Para o filósofo, a ética da alteridade é a submissão pelo diferente, porque é justamente o diferente que revela o infinito. Lévinas propõe estabelecer uma relação de responsabilidade entre o Eu e o Outro. Segundo ele, o reino do bem só pode se instaurar a partir do Outro. Grosso modo, poder-se-ia nomear os personagens, dizendo que: católicos e muçulmanos são corresponsáveis uns pelos outros. O que possibilita a relação de diálogo é o olhar de acolhimento. É esse olhar que questiona, provoca e exige uma resposta capaz de estabelecer uma relação.

A ideia que está por detrás do pensamento de Lévinas quer mesmo estabelecer uma conexão de responsabilidade para com o Outro, antes de qualquer processo de conhecimento por parte do mesmo. Não é o aspecto religioso que define a integridade do ser, logo, não pode ser esse aspecto que anula a possibilidade de convivência harmoniosa e o amor de coexistência. O encontro com o Outro sempre é surpreendente e desconcertante, para ambas as partes. A partir do olhar do Outro é que se pode estabelecer um diálogo.

No mundo atual, há uma consciência da importância do diálogo inter-religioso para a construção de uma humanidade mais fraterna, já que as diferenças religiosas têm servido de suporte ideológico para os mais diferentes conflitos. O amor mais intenso que a humanidade conheceu partiu da religião e o ódio mais diabólico que a humanidade conheceu também partiu da religião. As mais expressivas palavras de paz foram proferidas por homens vinculados à religião, assim como, as mais amargas palavras de intolerância foram proferidas por líderes religiosos. Cada expressão religiosa apresenta sua própria doutrina e insiste ser a única verdadeira. No mundo plural atual, não é mais possível a intolerância com os crentes de outras expressões de fé e somente através do diálogo pode-se construir uma civilização que responda aos questionamentos fundamentais do ser humano.

Considerações finais

O diálogo inter-religioso exige o exercício da reciprocidade. De um lado o interlocutor exige respeito às suas convicções; o outro com o qual entra em comunicação exige igualdade de tratamento, e também o mesmo reconhecimento de autenticidade e verdade. A pesquisa presente, diante da efervescência do tema, quis aprofundar pontos que poderiam ajudar na compreensão histórica e atual do Islã além de destacar os pontos que unem – ou que poderiam unir – muçulmanos e católicos num relacionamento sadio de coexistência e convivência.

No primeiro capítulo deu-se a conhecer uma síntese de acontecimentos relevantes na história do islamismo: as revelações ao profeta Maomé e o início familiar do princípio islâmico; a expansão religiosa após a morte do profeta; a formação do Corão: similitudes com a Bíblia e seu desfecho próprio. No segundo capítulo pretendeu-se apontar indícios históricos de onde haveria de surgir conceitos fundamentalistas da mensagem religiosa, dando espaço para que o Sagrado pudesse ser manipulado para interesses outros. Essa manipulação abriu as portas para que males maiores entrassem no mundo moderno e contemporâneo, como a intolerância, a perseguição e o terror. A partir de então, a essência islâmica ficaria manchada pela deturpação de grupos extremistas apontados também na pesquisa. Já o terceiro capítulo [este artigo] tentou ser uma espécie de resposta frente aos desafios do agora. Com base em documentos da Igreja Católica, literaturas relevantes, pesquisas e experiências concretas, o diálogo tem mostrado ser a ferramenta mais eficaz na busca por uma paz verdadeira. Tal diálogo não pressupõe o abandono das próprias convicções ou uma abertura ao sincretismo, ao contrário, antes, necessita que os envolvidos estejam íntegros em suas certezas de vida e fé para, depois, desenvolverem uma relação, sobretudo, de respeito e amor.

Diante da novidade, do medo e dos questionamentos que a sociedade atual traz em si sobre a realidade islâmica do mundo, a pesquisa destaca que católicos e muçulmanos, como qualquer partícipe de outra religião, possuem em si apenas uma fina camada que os diferenciam. A especificidade de religar cada expressão de fé com o seu Deus, embora importante e constitutiva, não tem e nem deve ter volume para se fazer como um muro intransponível, barrando as tentativas dialogais. Por baixo dessa superfície rasa – nossas convicções – toda a humanidade está orientada à ser feliz e a buscar sua realização, participando igualmente dos mesmos direitos e deveres, e fadada ao mesmo fim.

Em outras palavras, não se pode excluir o Outro por não partilhar da mesma crença do Eu. Não se pode ferir o Outro nem persuadi-lo à se tornar um outro Eu. A dinâmica do amor, que gera a paz verdadeira, aceita as diferenças e entende que a verdade não pode ser aprisionada. Todas as vezes que esse aspecto do respeito da individualidade não foi preservado, como visto na presença do fundamentalismo, a história presenciou o adoecimento de toda uma estrutura societária, gerando discriminações, perseguições e a funesta guerra.

Em nossos tempos, cada vez mais se fala sobre os estudos que comprovam que a relação pessoal com o transcendente faz bem às pessoas. A oração e uma crença com o Criador traz benefícios à vida. Mas, isoladamente, esta dimensão religiosa não consegue definir a totalidade do ser humano. Há laços mais ternos que constituem a humanidade do que simplesmente a forma com que esta se relaciona com o Sagrado. O papa Francisco recorda que “É preciso revigorar a consciência de que somos uma única família humana. Não há fronteiras nem barreiras políticas ou sociais que permitam isolar-nos e, por isso mesmo, também não há espaço para a globalização da indiferença.”

A pesquisa, por fim, pretendeu dar elementos à que cada leitor pudesse perceber por si mesmo a verdade que nem sempre está elementar. Muçulmanos e católicos partilham de muitos pontos em comum, a começar pela própria humanidade. Antes de posicionamentos precipitados, muitas vezes injustos, generalizando uma grande história como base apenas em um pequeno e destoante grupo, o primeiro passo deveria ser o de permitir-se conhecer e aprofundar sobre a temática do Outro, no caso, do mundo muçulmano. E que isto não seja encarado como que um risco às próprias convicções, mas início de uma fraternidade que gera o sadio convívio e o amor entre as pessoas.

Veja também:


Bibliografia (de toda a pesquisa)

Livros:
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Entrevistas:
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KUŞ, Atilla. Entrevista concedida a Bruno Redígolo Cardoso. São Paulo, 17 jul. 2017.

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